Na primeira semana de estágio do ano cheguei a casa e tinha uma bela surpresa à minha espera.
Um livro com o título "O bairro das cruzes" publicado pela Coolbooks, uma chancela da Porto Editora que se dedica à publicação de livros de autores portugueses.

Autora: Susana Amaro Velho
Editora: Coolbooks
Sinopse:
" "Esta não é uma história de amor. Não uma história de amor convencional, por assim dizer. Não tem um casal que se apaixona e tem filhos. Que troca juras de amor até que se unam na sepultura partilhada, com dizeres e fotografias a sépia. Esta não é, de todo, uma história desse tipo de amor, mas realça o elo indelével entre uma criança, a sua origem e os seus laços familiares."
O Bairro das Cruzes conta a história da Luísa. E da Rosa. Conta a história das cruzes que carregamos desde a infância e que condicionam escolhas futuras. Caminhos que se seguem e outros que se evitam.
O Bairro das Cruzes atravessa o tempo. O espaço. Mistura comunistas e PIDE, e sobrevive às cheias de Lisboa. Carrega um fardo pesado e agarra à terra quem lá nasceu. Quem de lá quis sair, mas regressou.
Só a sinopse do livro já me deixou intrigada e a querer saber mais.
O livro fala-nos da Luísa e da Rosa que viviam num bairro em Mafra, daí o nome "bairro das cruzes" que faz referência às cruzes que todos nos carregamos e que por vezes são passadas de geração em geração.
A escrita da autora é diferente de tudo o que já li, mas num bom sentido, deixou-me agarrada à narrativa desde o ínicio.
É retratado no livro o tempo da ditadura, o 25 de Abril e no fundo como era Portugal naquela altura, com uma visão geograficamente "pequena" que era o bairro, mostra-nos como as pessoas viam as doenças na altura e todo o desconhecimento perante as mesmas, a censura,as relações entre o seu povo e as grandes dicrepâncias existentes na sociedade.
Conforme ia avançando no livro acontecia reviravolta atráves de reviravolta, que me deixaram boquiaberta, uma vez que, não imaginava de todo que a narrativa tomasse aquele rumo.
Creio ser o livro ideal e recomendo a leitura a qualquer pessoa, em especial, às que vivem em aldeias ou até mesmo as "Luísas e Rosas" que vivenciaram toda esta época ou a quem, tal como eu, é de uma geração que não viveu nesse período mas gostaria de ter uma percepção de "como era viver naquela época e num meio mais pequeno.", uma vez que nunca tiveram grande contacto com essa realidade.

Algumas parecências, tais como o facto de toda a gente se conhecer no bairro fez-me lembrar a freguesia da minha avó, freguesia essa em qual passava sempre os meus Verões em míuda e da qual tenho ótimas memórias, razão essa pela qual tirei as fotos deste post na mesma.
O livro fala-nos da Luísa e da Rosa que viviam num bairro em Mafra, daí o nome "bairro das cruzes" que faz referência às cruzes que todos nos carregamos e que por vezes são passadas de geração em geração.
A escrita da autora é diferente de tudo o que já li, mas num bom sentido, deixou-me agarrada à narrativa desde o ínicio.
É retratado no livro o tempo da ditadura, o 25 de Abril e no fundo como era Portugal naquela altura, com uma visão geograficamente "pequena" que era o bairro, mostra-nos como as pessoas viam as doenças na altura e todo o desconhecimento perante as mesmas, a censura,as relações entre o seu povo e as grandes dicrepâncias existentes na sociedade.
Conforme ia avançando no livro acontecia reviravolta atráves de reviravolta, que me deixaram boquiaberta, uma vez que, não imaginava de todo que a narrativa tomasse aquele rumo.
Creio ser o livro ideal e recomendo a leitura a qualquer pessoa, em especial, às que vivem em aldeias ou até mesmo as "Luísas e Rosas" que vivenciaram toda esta época ou a quem, tal como eu, é de uma geração que não viveu nesse período mas gostaria de ter uma percepção de "como era viver naquela época e num meio mais pequeno.", uma vez que nunca tiveram grande contacto com essa realidade.
Algumas parecências, tais como o facto de toda a gente se conhecer no bairro fez-me lembrar a freguesia da minha avó, freguesia essa em qual passava sempre os meus Verões em míuda e da qual tenho ótimas memórias, razão essa pela qual tirei as fotos deste post na mesma.
Excertos:
"Porque um dia, sim, um dia, as feridas irão doer. Mas não na infância. Nela, tudo é penso rápido. Tudo é fugidio. Como uma tarde livre e sem horas, onde os minutos se convertem em meses.
Porque, não há tempo quando se é feliz."-pág.15
"Para mim, o engraçado deste bairro era o facto de os quintais serem iguais ao penteado de quem morava dentro das casas. A Olímpia pintava o cabelo de amarelo e todos os vasos do caminho da entrada eram dessa cor. A Clara Cozinheira não fazia um carrapito sem que lhe saltassem cabelos de fora. Talvez por isso o seu quintal estivesse minado de ervas daninhas. A Ti Orquídea era quase careca e a parca penugem que se via era da cor do nevoeiro. Por isso, o caminho do quintal dela era de gravilha cinzenta. Já o da avó Palmira era salpicado de peónias coloridas, porque ela pintava tantas vezes o cabelo que já não se lhe distinguia a cor. "- pág. 20
"Porque um dia, sim, um dia, as feridas irão doer. Mas não na infância. Nela, tudo é penso rápido. Tudo é fugidio. Como uma tarde livre e sem horas, onde os minutos se convertem em meses.
Porque, não há tempo quando se é feliz."-pág.15
"Para mim, o engraçado deste bairro era o facto de os quintais serem iguais ao penteado de quem morava dentro das casas. A Olímpia pintava o cabelo de amarelo e todos os vasos do caminho da entrada eram dessa cor. A Clara Cozinheira não fazia um carrapito sem que lhe saltassem cabelos de fora. Talvez por isso o seu quintal estivesse minado de ervas daninhas. A Ti Orquídea era quase careca e a parca penugem que se via era da cor do nevoeiro. Por isso, o caminho do quintal dela era de gravilha cinzenta. Já o da avó Palmira era salpicado de peónias coloridas, porque ela pintava tantas vezes o cabelo que já não se lhe distinguia a cor. "- pág. 20
"(...)há muito dela que desconheço. Tanta peça por consertar. Parece um carro velho, sabes? Arranja-se o tubo de escape e , uma semana depois, dá problemas na embraiagem.
-Sabes Luísa, um carro não tem arranjo quando o problema está no motor. Veremos no que isto dá. Em que sucata ela acaba."-pág.118
-Sabes Luísa, um carro não tem arranjo quando o problema está no motor. Veremos no que isto dá. Em que sucata ela acaba."-pág.118
"Há tradições de infância que temos de manter vivas, porque se as abandonamos fazemos também morrer parte de nós." -pág.131
"É amor, certamente quando a barriga ainda se manifesta com um beijo. Quando o futuro ainda cabe entre os ombros que se encostam, Quando o silêncio fala sem incomodar. Só pode ser amor, esse consolo da alma, essa música que cantarolamos como uma lembrança feliz."-pág.189
"(...) o amor não se mede pelos meses na barriga, mas pelos anos a amparar quedas.(...) E isso vale mais que os gritos e as dores do parto, porque tantas vezes as dores do crescimento são mais difíceis de suportar."-pág.202
"Eu era aquele bairro. E ele era a minha história."-pág.207
Podem encontrar o livro há venda na Wook e em várias livrarias do país.
Queria agradecer à Coolbooks e à Porto Editora por me terem cedido este exemplar, por apostarem em autores nacionais e pelo facto de com isso, me terem feito aprender mais sobre a história do meu país.
Já conheciam este livro e a autora? O que andam a ler? Qual o livro que acham que eu tenho MESMO de ler em 2020?
Este livro foi gentilmente cedido pela Porto Editora em troca de uma opinião sincera.

Desconhecia o livro por completo, mas a sinopse é, de facto, intrigante. Fiquei curiosa!
ResponderEliminarConfesso que esse ainda não conhecia.
ResponderEliminarBeijinhos
http://virginiaferreira91.blogspot.com/
Olá! Não conhecia. Gostaria de ler.
ResponderEliminarInvítote a passar pelo meu blogue. Beijo!
Que otima surpresa! Não conhecia essa autora:)
ResponderEliminarBeijinhos*
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